Motivando o Seminário
Conhecimento, Criatividade e Inteligência: Uma Visão Cognitiva

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Este seminário foi proferido em 20 de Fevereiro de 2002.
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Neste texto vou procurar motivá-lo a contratar este seminário.

 
Claro, não dá para resumir com fidelidade um seminário de 4 horas em um texto tão curto (mesmo porque há muito material visual que não está exposto aqui). Mas creio que você poderá identificar os principais temas e conceitos que trataremos no evento.

Inteligência é Importante, Não é Mesmo?

Se você chegou até aqui, é porque sabe que inteligência é um conceito de suma importância para as pessoas de hoje. Se no passado remoto nossos antepassados beneficiavam-se muito da força física, hoje nosso principal trunfo para sobreviver é poder atuar com a força da inteligência e a ponderada aplicação do bom-senso. Contudo, é difícil procurar se aprimorar nessa área, pois existem muitas teorias (inteligência emocional, inteligências múltiplas, etc., etc., etc.) e não parece ser fácil entendê-las com profundidade ou utilizá-las na prática de forma vantajosa. Nosso objetivo neste seminário é fugir um pouco das diversas "modas" que existem por aí e nos fixar naquilo que existe de mais sólido sobre o tema (Clique aqui para ver uma lista das referências bibliográficas que usamos para compor este evento). Vamos apresentar uma série de noções que revelam os aspectos fundamentais da inteligência humana, com uma ênfase na aplicação desse material em nossa vida cotidiana.

O Que É Informação?

Nosso ponto de partida no seminário será conceituar o que é informação, uma noção que irá nos acompanhar por todo o evento. A principal definição teórica do termo vem do brilhante pesquisador Claude Shannon, que propôs a idéia em 1949. A partir da conceituação que faremos, vamos apresentar a tese principal de todo o seminário: Inteligência é a habilidade que um organismo tem de gerar conhecimento potencialmente útil à sua sobrevivência e desenvolvimento. Vamos também procurar definir o que é conhecimento e relacionar essa definição com a noção de surpresa, que está embutida na teoria da informação de Shannon. Somente estes conceitos já valem o seminário todo, pois muito de nossa futura busca por aprimoramento pessoal pode ser derivada dessa importante base teórica.

Os Organismos Biológicos em Seus Habitats

Esses conceitos de informação, conhecimento e inteligência vão ficar cada vez mais claros à medida em que mostramos os organismos vistos em seu meio ambiente natural. Observaremos o ciclo percepção/ação, que existe em todo ser vivo que disponha de um cérebro. Também neste momento vamos conhecer o interessante caso do animal marinho "Sea Squirt". É através do estudo desse ciclo que iremos reparar na principal diferença que existe entre os primatas avançados (dos quais somos uma das ramificações) e os demais mamíferos deste planeta. Veremos qual o significado do termo "plasticidade neural" e como isso costuma influenciar nossos destinos cognitivos. O ponto chave desta seção do seminário é apresentar de que maneira essa grande capacidade cognitiva que dispomos (por causa desse nosso grande cérebro "plástico") é potencializada através de símbolos externos e públicos, como os que usamos em nossas linguagens e na matemática. O extraordinário estágio de evolução de nossa civilização pode ser entendido pela reunião desses dois fatores com a interação social, conforme veremos no final do seminário.

Percepção é Uma das Chaves

Todo esse caminho vai nos apresentar com mais clareza o significado da palavra "percepção", que revisitaremos com frequência durante o restante do seminário. Vamos mostrar como a percepção alimenta o conhecimento e como o conhecimento influencia a percepção. Esta seção termina com uma exposição das principais leis da percepção Gestalt, facilmente verificadas através de exemplos visuais que iremos apresentar. É surpreendente o número de descobertas que faremos mais adiante utilizando esses simples princípios de percepção visual.

Agrupando Para Aprender

O assunto aprendizado irá ocupar agora a nossa atenção através da introdução de um outro conceito importante: o "chunking", que faremos através de uma série de exemplos práticos. Nosso aprendizado, desde que nascemos, ocorre de uma forma paulatina. Antes de aprendermos noções mais complexas (como raciocínio lógico, frases complicadas, emoções mais sofisticadas, etc.) temos que atravessar um grande período de maturação. Esse é o período no qual "aprendemos a perceber" certas características de nosso mundo através daquilo que os sentidos nos informam. O chunking ocorre frequentemente durante esse processo, e consiste em agrupar algumas informações sensórias e tratá-las como "unidades" autônomas. Lembrando novamente de Shannon, veremos que isto reduz a complexidade da informação. É interessante observar que isto ocorre, em muitos casos, de forma espontânea. Com o tempo -- principalmente através da plasticidade neural que vimos acima -- nosso cérebro fica especializado na deteção de muitos desses grupos. O efeito dramático ocorre quando o cérebro usa o chunking sobre esses grupos especializados, o que nos permite perceber novos grupos de informação. Assim, uma estrutura hierárquica vai progressivamente crescendo e nos permitindo aprender outras estruturas, cada vez mais complexas e sofisticadas. Este processo repete-se mesmo quando somos adultos, no momento em que temos que aprender algo totalmente novo. Vamos observar que, embora muito deste processo ocorra automaticamente, podemos melhorar os seus resultados na medida em que utilizamos conscientemente seus princípios.

Porque Usamos Analogias

Outra importante habilidade cognitiva que iremos explorar está relacionada ao raciocínio analógico. Também através de exemplos práticos, com listas de números, vamos identificar as noções básicas que estão por trás dessa importante habilidade cognitiva. Vamos falar de Douglas Hofstadter e do curioso livro de George Lakoff. Mais do que o aspecto linguístico presente nas metáforas, o raciocínio analógico é extremamente importante para o desenvolvimento de estruturas conceituais novas. Isto complementa aquilo que vimos na seção anterior, pavimentando nosso caminho para compreender bem o próximo tema.

Modelos de Causa e Efeito

Nosso passo seguinte será falar sobre os "modelos causais". Nosso mundo é complexo e caótico. Mas é, em muitos aspectos, regular e previsível. Estas noções já terão sido expostas no início do seminário. Para entender um pouco dessa complexidade toda, nosso cérebro usa as regularidades como ponto de partida. Através da observação de uma foto convencional (dois jogadores de futebol disputando uma cabeçada) vamos tecer importantes considerações sobre os modelos de causa/efeito que montamos em nossa mente, desde nossa infância. Em seguida, vamos ver uma foto muito estranha, que desafia nossos modelos causais. Contudo, aquilo que era um mistério deixa de sê-lo no momento em que explico as específicas características causais que estão relacionadas à foto. Dessa experiência nós iremos sentir como os modelos causais são indispensáveis para a compreensão de nosso ambiente e como influenciam todo o nosso raciocínio. O conjunto de modelos causais que criamos desde nossa infância é, portanto, nossa particular forma de ver o mundo, que precisa de constante atenção e revisão (Shannon vai voltar a ser mencionado aqui). Voltaremos a falar sobre revisão de modelos causais quando mencionarmos o pensamento crítico.

A Indução de Regras

Mas como é que esses modelos causais são formados? Como é que nosso cérebro monta essas intrincadas estruturas? Chegou a hora de observarmos a formação indutiva de conceitos e regras. Através de exemplos simples e motivadores, vamos praticar a formação indutiva de regras e observar de perto um processo que costuma acontecer de forma automática e despercebida. Ao observarmos com cuidado este processo em ação, será possível entender melhor o que nosso cérebro faz com as regularidades que falamos anteriormente e o real alcance das induções que diariamente fazemos. Novamente chamamos a teoria da informação para nos ajudar a entender o que ocorre quando uma "regra" que derivamos em nossa mente precisa ser refeita para se adequar a novas experiências a que nos submetemos.

Uma Visão do Aprendizado

Nosso próximo assunto irá observar de perto o aprendizado. Faremos uma rápida recapitulação das principais teorias de aprendizado e suas conexões com o material que vimos até agora. Vamos em seguida observar que podemos aprender por via experiencial direta e por instrução simbólica abstrata (leitura, aulas, palestras, conversas, etc). Quais as diferenças entre esses dois tipos? Embora a grande maioria do aprendizado de adultos acabe sendo simbólico e abstrato, vamos ver porque esses dois tipos precisam idealmente estar associados (pelo menos dentro de nossas mentes). Dessa forma, ficará claro como podemos potencializar o aprendizado através do uso de analogias sensórias e da incessante busca por modelos causais com significado e coerência. Também virá dessa nossa exploração uma importante distinção entre os novatos e os especialistas. No que um especialista difere de um recém-graduado?

Criando e Inovando

Chega a hora de observarmos de perto a Criatividade. A partir de todos os conceitos que desenvolvemos, vamos expor um dos principais princípios de todo o evento: é mais criativo aquele que consegue justificar as suas "regras" internas através de modelos causais e estruturas analógicas firmemente "plantadas" em um terreno experiencial. Alguém que simplesmente conheça (saiba de cor) algumas regras, pode não ser tão criativo quanto aquele que entende de onde as regras vieram. E isto ocorre porque a criatividade tem a ver com a sistemática quebra/modificação de regras de intrincadas estruturas conceituais. Vamos ver, através de sugestivos exemplos, como isto ocorreu no passado e como ocorre hoje em dia.

O Que é Mesmo Inteligência?

Juntando tudo o que vimos até este ponto, ficará mais claro entender Inteligência como um atributo das pessoas que incentivam a percepção criativa de seu meio ambiente e de seus próprios pensamentos. Disto surgirá a importante habilidade de distinguir aquilo que é relevante daquilo que não é. São inteligentes as pessoas que buscam por operações criativas em seus próprios espaços conceituais, refinando essas estruturas com o pensamento crítico e com suas futuras experiências. São pessoas movidas por constante curiosidade e com propensão ao teste, ao experimento, ao exercício, mesmo que isso produza eventuais "fracassos". O efeito dessa postura na pessoa é a contínua geração de conhecimento, para si mesma e para a empresa que a emprega.

A Dialética Argumentativa

O penúltimo tópico de nosso seminário irá tratar de como o conhecimento também pode ser gerado através da interação linguística entre pessoas. Falaremos da argumentação e de como ela propicia, quando bem executada, ambientes que fazem todos explorarem novos caminhos. Com uma adequada conceituação do que é argumentação suportada por premissas sólidas, as discussões entre pessoas poderão ser produtivas e benéficas, para todos.

Chegamos ao Final? Não!
Isto É Apenas o Começo!

Terminamos o seminário fazendo uma auto-análise. Durante quase 4 horas estivemos nos divertindo com muitas situações instigantes, curiosas e desafiadoras. Mesmo assim, é muito material para ser digerido em tão pouco tempo (basta olhar o conteúdo programático para ver isso). Como é que podemos tratar isso? Nosso tema final aborda justamente a resolução desse impasse: como tratar o aprendizado de um grande volume de informação através da percepção dos princípios mais relevantes, aqueles que geram os outros detalhes. Na verdade, os detalhes, aquelas coisas que são usadas como exemplos, não precisam ser "decorados". Não precisam nem mesmo ser vagamente lembrados. Precisam apenas nos fazer construir estruturas cognitivas adequadas (categorias, regras, modelos causais, etc.) que sejam sistemáticas, coerentes e genéricas. Não precisamos mais dos exemplos porque quando entendemos os princípios fundamentais por trás de cada conceito, podemos gerar quantos exemplos quisermos, mesmo em contextos muito diferentes. Isto ocorre porque esse conhecimento tem a característica de ser produtivo e justificado. Podemos dizer que essa mensagem final é a principal conclusão que você irá levar para casa e é aquilo que deverá fazer mais diferença em sua vida intelectual futura.

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